Consulta de Enfermagem


A consulta de enfermagem é uma atividade privativa e prestada pelo enfermeiro na qual são identificados problemas de saúde, medidas de enfermagem são prescritas e implementadas com o objetivo de promoção, proteção, recuperação ou reabilitação do paciente (CAIXETA, 2009).

Em muitos aspectos, a consulta de enfermagem difere da consulta médica, pois nesta, geralmente, o usuário vem com uma queixa principal como, por exemplo, uma dor de garganta. Já na consulta de enfermagem, o enfermeiro realiza o processo de enfermagem para chegar aos problemas ou detalhar um problema já previamente identificado no acolhimento.

O Processo de Enfermagem (PE), que pode ser compreendido como a expressão do método clínico, tem se configurado como uma das formas de sistematizar a assistência de enfermagem de modo a identificar e solucionar situações considerando um dado contexto, num determinado período de tempo, visando produção de resultados positivos para a saúde de um indivíduo ou comunidade (CARVALHO; BACHION, 2009).

O processo de enfermagem é constituído por etapas ou fases interdependentes e complementares; quando realizadas, no seu conjunto resultam em intervenções de enfermagem satisfatórias para os indivíduos, grupos ou comunidades. Essas etapas ou fases compreendem o histórico, o diagnóstico, o plano assistencial, a prescrição, a evolução e o prognóstico (HORTA, 1979).

Na fase do histórico, coletamos o máximo de informações sobre o usuário (alimentação, atividade física, tabagismo, etilismo, planejamento reprodutivo e familiar, moradia, lazer, renda, escolaridade, emprego, religiosidade, rede de apoio, entre outros). Nas consultas que eu conduzi, já presenciei muitos problemas surgirem após aprofundar em algumas perguntas. Usualmente, a famosa anamnese dura entre 30 a 60 min - aquelas mais completas e direcionadas.

A anamnese é personalizada para cada paciente, pois a relevância da pergunta vai de acordo com o público atendido. Por exemplo, numa consulta de saúde da mulher o foco será em planejamento familiar, sexualidade e liberdade de escolhas; já para a saúde do idoso, a atenção será voltada à execução de atividades habituais, a memória, a vulnerabilidade e o grau de dependência para com outras pessoas.

Os diagnósticos são elaborados através dos problemas identificados na anamnese e também através do exame físico realizado que poderá ser tanto focado em somente um sistema como ser céfalo-podálico.

Os médicos dão o diagnóstico clínico conforme o Código Internacional de Doenças (CID) e os enfermeiros conforme a North American Nursing Diagnosis Association (NANDA). Exemplos de diagnósticos de enfermagem da NANDA são:

1- Risco de infecção relacionado ao manuseio de cateter venoso central;

2- Função hepática prejudicada relacionada à cirrose e evidenciada por icterícia ocular bilateral e exame laboratorial com alteração das enzimas hepáticas.

Após listar os diagnósticos principais, é o momento de levantar o plano e, assim, podemos utilizar a Nursing Interventions Classification (NIC) para intervenção e NOC para mensurar o tempo em que essas mudanças devem ocorrer. O NIC é muito geral, portanto, não é tão usado na prática. O NOC orienta os cuidados por um período determinado, por exemplo, dispneia (falta de ar) esperamos que ela mude de muito comprometida para moderadamente comprometida em 24 horas.

O ideal é ter uma prescrição de enfermagem para cada paciente, mas dentro de um mesmo setor é possível ter intervenções semelhantes e algumas padronizadas.

Detalhe importante: a prescrição precisa ser específica, pensada dentro de um período de 24h e ter aprazamento (uma espécie de checklist).

Exemplos de prescrições de enfermagem:

1- Avaliar sinais vitais às 8h, 14h, 20h, 2h;

2- Realizar ausculta pulmonar às 8h, 14h e 20h;

3- Realizar balanço hídrico às 6h, 12h e 18h;

4- Avaliar dor às 8h, 14h, 20h, 2h;

5- Oferecer hidratante corporal às 10h após banho.

Por fim, vem a evolução. Como o paciente ficou após as intervenções realizadas? Houve melhora? Houve piora? Os diagnósticos levantados ainda são os mesmos? Houve acréscimo de algum? É nessa fase que entram essas perguntas.

Por fim, gostaria de ressaltar mais uma vez que o processo de enfermagem (assim como a consulta de enfermagem) é feito exclusivamente pelo enfermeiro, logo, o técnico de enfermagem ou auxiliar de enfermagem não podem realizá-lo. Só é possível delegar o PE a outro enfermeiro.

A maior diferença que eu poderia citar entre uma consulta médica e uma consulta de enfermagem é que, na maioria das vezes, a consulta médica gera uma prescrição de medicamentos enquanto que a consulta de enfermagem produz uma prescrição de CUIDADOS. Cuidados que envolvem a dimensão física, mental, espiritual e social, afinal, somos seres biopsicosocioespirituais.

Como você pode ver, a prática da enfermagem envolve métodos bem definidos que precisam ser seguidos seja no Sistema Único de Saúde ou nas instituições privadas. O PE é um dos mais cobrados pelas instituições e que faz total diferença no plano de cuidados de qualquer cliente.

Você já conhecia essa definição ou já foi a alguma consulta de enfermagem?


Referências

CAIXETA, Camila Roberto da Costa Borges . Consulta de enfermagem em Saúde da Família. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva . Uberaba, 2009. 40f. Monografia (Especialização em Atenção Básica em saúde da Família).

CARVALHO, E. M. de; BACHION, M. M.; DALRI, M; C. B.; JESUS, C. A. da C. de. Obstáculos para a implementação do processo de enfermagem no Brasil. Rev. enferm UFPE; 2007, jul./set.; 1(1):95-99.

HORTA, W. A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU; 1979.

Autor:

Marco Aurélio Souza
Enfermeiro Oncologista | Oncologia | TMO

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