Healthtechs: um presente futurista

  • Post Original Publicado no Linkedin em 1 de outubro de 2018


José Nazareno Maciel Junior

José Nazareno Maciel Junior

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Um fenômeno global já vem acontecendo há alguns anos e no Brasil tende a acelerar: o crescimento das Fintechs, Financial Technology, que são startups voltadas para inovação no mercado financeiro; das Insurtechs, Insurance Technology, voltadas para inovação no mercado segurador; das Agtechs, ligando às empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio; e das Healthtechs, ligando tecnologia à saúde, dentre outras.

Apesar da importância e dos vários detalhes relacionados a cada uma delas, vamos focar, neste artigo, especificamente nas Healthtechs.

Arrisco dizer que hoje em dia não é mais necessário ter algum tipo de formação nos cursos tradicionais ligados diretamente à saúde para empreender nessa área, trazendo inovações que impactem positivamente o setor.

Imagine o potencial de público alvo: o Brasil possui, segundo o IBGE, 208,8 milhões de brasileiros e, conforme a ANS, destes, apenas 47,28 milhões, ou seja, 22,64% possuem vínculo com planos de saúde médico-hospitalares. Sobra, então, aproximadamente, 162 milhões de pessoas. É tanta gente que, em termos de comparação, corresponde a quase 20 vezes a população total da Suíça.

Essas milhões de pessoas sem vínculo possuem acesso somente ao Sistema Único de Saúde (SUS), que, sabe-se, não consegue fornecer o subsídio necessário à promoção da saúde e à prevenção de doenças.

Contudo, sejamos francos, o mercado de saúde, seja ele público ou privado, é um dos mais imperfeitos e complexos, e boa parte disso pode ser explicado pelo fato de sua cadeia produtiva de bens e serviços ser amplamente desconectada, cheia de conflitos de interesses. Quando analisamos mais de perto este contexto, podemos enxergar um modelo muito próximo da teoria da “soma zero”, ou seja, enquanto alguns ganham, outros, necessariamente, perdem.

É preciso rever isto. A forma como está estruturada a cadeia de valor da saúde somente conseguirá chegar a um modelo de entrega ideal se todos os participantes estiverem envolvidos na melhoria do sistema como um todo, buscando sua sustentabilidade integral e deixando de lado os interesses particulares e de curto prazo.

Assim, o mais importante deste processo de transformação não está em apenas sairmos do modelo de pagamento, operadora para prestadores Fee for Service, onde a operadora paga aos prestadores (hospitais, clínicas, laboratórios etc.) tudo que produz para o DRG – Diagnosis Related Groups (Grupos de Diagnósticos Relacionados), ou seja, a operadora paga aos prestadores um valor médio por procedimento, por exemplo. A verdadeira transformação da saúde acontecerá quando todos os participantes desta cadeia voltarem sua atenção ao seu protagonista – o paciente – pois sem ele não existe prestação de serviço de saúde.

Estando o paciente no centro das atenções, os participantes devem se concentrar na promoção e prevenção da sua saúde, e não na gestão de sua doença.

Nesse contexto, a tecnologia auxilia o setor, permitindo conhecer detalhadamente as características clínicas dos pacientes. O salto está em cuidar para que o paciente preserve sua saúde sem que haja a necessidade de tratar doenças. A prevenção passa a ter um papel fundamental no valor gerado na cadeia, já que evitar enfermidades é a melhor forma de quebrar o modelo da “soma-zero” e contribuir para a verdadeira transformação da saúde.

Seria impossível esta mudança? Não! Mas, para entendermos o motivo disso tudo não estar acontecendo precisamos, antes de qualquer coisa, aceitar que a implantação deste novo conceito passa por um processo de mudança de cultura no nosso país e isso, todos sabemos, demanda tempo. Então, no curto prazo, nada há muito o que fazer, ainda que, diante das necessidades, discussões e provocações atuais tendam a acelerar o processo.

Enquanto isso, o mercado está se movimentando e se inovando. Novos players estão surgindo a cada momento para tentar atender parte das necessidades daqueles 162 milhões de pessoas sem planos de saúde, citadas acima.

Algumas delas com interesses e tipos de comportamento inéditos, tais como: jovens que gostariam de ter um plano de saúde On Demand só no final de semana; pessoas que gostariam de ter cobertura apenas para certo tipo de procedimento, como por exemplo uma cirurgia plástica ou consultas oftalmológicas. É uma espécie de Self Service de serviços de saúde.

Ao tempo que esse grupo composto por 162 milhões de pessoas está evitando ou não pode adquirir um plano de saúde tradicional, que requer pagamentos mensais, também quer evitar as filas intermináveis do SUS.

Observando esse comportamento e interesse ao acesso a serviços de baixa complexidade e de preço mais reduzido, várias operadoras revisaram a estratégia de vendas de seus produtos e passaram a ofertar planos somente ambulatoriais, com o intuito de captar uma parcela dessas pessoas que estavam indo, principalmente, para as clínicas populares.

Entretanto, cumpre destacar que planos ambulatoriais não cobrem internações cirúrgicas, mas estão ligados ao Rol de Procedimentos (cobertura mínima determinada pela ANS) e, assim, incluem exames e terapias de alta complexidade (ressonância magnética, tomografia computadorizada, tratamentos oncológicos etc.), impossibilitando uma significativa redução no preço, até porque, no geral, as internações representam entre 30% e 40% dos custos assistenciais totais, ficando, portanto, a grande parcela das despesas para o âmbito ambulatorial.

Além de tudo isso, também temos hoje, um cliente muito mais exigente, que deseja um atendimento mais ágil, resolutivo e transparente. A vasta oferta de informação e a crescente conectividade entre as pessoas, ambas impulsionadas pelas tecnologias de comunicação, estão moldando um novo tipo de consumidor, convencionalmente chamado de “empoderado”: aquele paciente que vai a uma consulta médica munido de autodiagnósticos feitos após uma busca no Google. Nesse sentido, ainda podemos destacar as reclamações virtuais contra atendimentos ruins, que inundam as redes sociais, todos os dias.

Resultado? Novas possibilidades para empreender na área da saúde no Brasil, e uma delas é a criação de startups que usam a tecnologia para fornecer serviços inovadores.

Se existe algo que os empreendedores adoram são problemas relevantes que atingem muitas pessoas. É o chamado Propósito Transformador Massivo (PTM), conceituado no livro “Organizações Exponenciais”. É neste tipo de ambiente que eles podem aplicar novas tecnologias e ideias inovadoras para criar empresas que geram impacto. O Brasil é um “parque de diversões” para eles. Basta olhar para um segmento de mercado que encontraremos problemas sérios para serem resolvidos e que afetam milhares de brasileiros.

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