Gestão de Pessoas na Saúde em tempo de Pandemia do COVID -19.



Republicação de Artigo postado em 15 de abril de 2020 no Linkedin de Patrícia Pessoa Pousa


Muito provavelmente, nenhum gestor de Gestão de Pessoas em Saúde, especificamente da área hospitalar, nunca recebeu um treinamento ou mesmo uma aula sobre como atuar de forma assertiva frente a uma pandemia, muito menos pensando em nossa realidade atual frente à COVID-19.

A nova realidade surgiu em um curto período de tempo e atingiu proporções mundiais.
Entretanto, mais do que nunca os aspectos e diretrizes que permeiam as diversas variáveis da gestão de pessoas são mais do nunca necessárias – aliás, por que não dizer, são os pilares e sustentação para o enfrentamento a esse cenário. O contexto nos impõe competências estratégicas visando a melhor forma de atravessar a crise, pensando na manutenção e qualidade de vida das milhares de vidas envolvidas, não somente na saúde física mas mental e emocional dos diversos entes comprometidos com esse momento ímpar de nossa história.

A situação trás à tona tudo aquilo que lemos e que até então, pensávamos já conhecer do famoso “mundo VUCA”, com cenário volátil, incerto e complexo, agudizado repentina e drasticamente em todos os setores mas de forma particular e especial, na nossa áreas da saúde hospitalar. Sem tempo para muito planejamento estávamos frente a frente com mudanças bruscas e com a nobre e desafiadora de alinhar as necessidades da empresa, pacientes e nossos profissionais.
Pense bem: quando uma pessoa entra em uma instituição para receber serviços de saúde, entrega o seu bem mais precioso – sua Vida.
É nesse momento que, mesmo sem saber, o que ela espera encontrar é na essência o CUIDADO, recebendo não só “entregas técnicas” mas “comportamentais”. E aqui, reforçamos a expectativa também de seus familiares e da sociedade, com relação a experiência que este paciente terá em seus diversos “momentos da verdade”, tendo como fundamento a prática de um sistema de saúde baseado em valor, com acesso, empatia e atendimento às necessidades de saúde. 
Outra reflexão que me parece oportuna : quando um profissional atua na área da Saúde, há que se considerar sua identificação com esse segmento além de propósito de vida.
Acrescente às constatações discorridas até aqui, uma pandemia que trouxe consigo a alta letalidade, a constatação de milhares de mortes, o medo, o retrato de questões políticas, sanitárias, econômicas e sociais, e no detalhe, o funcionamento dos respectivos sistemas de saúde mundiais nos apresentando a dura realidade do colapso desses sistemas.
Acredito que se poderia escrever um livro dos últimos 45 dias para a Gestão de Pessoas no segmento hospitalar, mas cabe agora o foco em aspectos gerais que possam desde já contribuir de maneira factível. E, amanhã, com certeza novos e inéditos conteúdos já poderão ser divididos e compartilhados.
De forma decisiva, uma série de ações se inicia com a premissa do comprometimento e responsabilidade da alta liderança, desdobrada e cascateada em ações, e do Inter relacionamento com as áreas e equipes que atuam num segmento, que conta com uma variabilidade de serviços, que permeiam as atividades fins, de apoio e administrativo, e que resultam na construção, participação e desdobramentos efetivos de comitês e comissões através de diretrizes, fluxos, protocolos e processos.
Pasmem: que nesta presente pandemia as diretrizes mudam constantemente para se adequar as novas informações sobre a doença e respectivas estratégias, com as emergências diárias, com definição dos materiais adequados e a necessidade de superação dos obstáculos. Muitos grupos de whatsapp (comitês de gestão de crise, comunicação, materiais e medicamentos, CCIH, saúde mental, treinamentos, etc.) são formados para facilitar a interação, construção, comunicação e os corretos alinhamentos; também uma ênfase na participação em grupos análogos da Gestão de Pessoas com atuação da área hospitalar.
Mais do que nunca, já que falamos de assistir vidas, é fundamental se reinventar, inovar, descartar padrões que não se adaptariam ao cenário atual de urgência, envolver, ouvir, comunicar, trabalhar em equipe, prever cenários, agir em situações inesperadas e construir resultados através do acúmulo de competências coletivas. Agregado a isto, é preciso muito esforço, dedicação, orientações dos “donos dos processos” e trabalho intenso de horas, com as forças renovadas pelo propósito e pela certeza que neste momento temos que ser os protagonistas na história de sobrevivência de muitos.
Frente a tudo isso, podemos sintetizar algumas ações:
·      Tudo começa com um planejamento integrado, com o envolvimento de todo o time. Sim um plano de ação “vivo”, mutável e com acréscimo de linhas nas planilhas de mais ações, detalhamentos e mudanças acrescentados diariamente, às vezes, em questão de horas. Onde o certo agora pode ser rediscutido daqui a pouco, buscando contemplar os pilares e subsistemas de gestão de pessoas, e os respectivos responsáveis da área de Gestão de Pessoas. 
·      Após esta largada, um esforço gigantesco para captação de novos colaboradores, através de várias iniciativas e ferramentas, buscando os muitos profissionais no mercado com as competências para compor o quadro de pessoal. Prevendo o pior cenário e até quanto podemos expandir, e infelizmente levando em consideração o percentual de adoecimento dos profissionais com as informações mundiais para assim, formar um grande banco de talentos. O monitoramento diário da taxa de ocupação do serviço, a complexidade dos pacientes, a performance dos colaboradores, num trabalho de grande engajamento e com a expertise da Enfermagem, os processos de apoio e da área da qualidade e segurança do paciente.
·      Concomitantemente treinar, treinar e treinar os recém-contratados e o quadro de colaboradores existentes, em temas, como por exemplo : a integração institucional com aspectos prioritários para este momento, o entendimento da infecção por COVID 19, a coleta adequada dos exames confirmatórios, os fluxos de atendimento pré-estabelecidos, uma imensidão de aspectos relacionados aos EPIs (fornecimento e apresentação dos equipamentos, com ênfase na utilização adequada, colocação e a retirada a fim de evitar a contaminação); as técnicas e protocolos diversos da prevenção a infecção hospitalar com maestria da CCIH; a reciclagem de técnicas e protocolos de atendimento a pacientes graves, dentre dezenas de outros temas. Utiliza-se para isto técnicas e ferramentas diversas tais como treinamentos presenciais, práticos, informativos em murais, vídeos, plataformas e sempre procurando avaliar a eficácia destes treinamentos.
·      Permeando toda a nova realidade, o SESMT reafirma seu papel fundamental e escopo intenso para garantir entendimento e adequação nos fluxos de dimensionamento, entrega e orientação de EPIs, com a implantação e regulação de fluxos e acesso dos profissionais para tratar e prevenir sua saúde, tanto os que apresentam sintomáticos e assintomáticos com relação ao COVID-19. O estabelecimento junto aos envolvidos dos critérios para testagem dos profissionais das instituições de saúde, com posterior comunicação aos que tiveram contatos com as pessoas com testes positivos; vacinação contra o vírus da Influenza, cuidando da prevenção de estados gripais. A adequação e mobilização do quadro de pessoal com relação aos profissionais que trabalham na saúde e que são portadores de comorbidades, com necessidades tais como: orientar o colaborador para que permaneça em isolamento social, transferências entre as áreas, aquisição de férias e restrições ao apresentar sintomas semelhantes a respectiva doença.
·      Outra questão crucial – a definição do Programa de Saúde Mental a todos os profissionais de saúde com ações específicas ao COVID 19, com apoio psicológico, espaços de escuta e acolhimentos individuais; consultas on line para os profissionais positivos para a COVID 19; espaços de reconhecimento; frases motivacionais; atividades lúdicas; protocolo para acolhimento em casos de óbitos.
·      Adequação e aumento da estrutura de suporte aos colaboradores tais como, locais e espaços de alimentação, de conforto e descanso, vestiários, chuveiros, todos com as devidas orientações de acesso, utilização e demais contingências impostos pelo momento, incluindo a circulação e comunicação adequadas sobre as áreas específicas para atendimento aos pacientes infectados.
·      Os canais de comunicação e acolhimento, mais do que nunca ganham papel importante, ao acesso e ao alcance de todos os profissionais da saúde, para que recebam continuamente informações clara e transparentes, incluindo boletins epidemiológicos, com a coerência entre o discurso, cultura e valores organizacionais.
·      Novas formas de trabalho remoto, à distância, com várias outras ferramentas surgiram e aconteceram, na maior parte envolvendo entregas administrativas. Vale ressaltar que, apesar da urgência, os cuidados e estudos junto ao jurídico trabalhista das novas medidas provisórias, tais como MP 936/2020 – Possibilidade de redução de salário e jornada ou suspensão temporária do contrato de trabalho, devem ser considerados e amplamente analisados.
·      Em meio a isso, como esquecer nossa essência, AS PESSOAS e sua humanidade. Por isso, as ações de envolvimento e experiência positiva, de reconhecimento, ânimo e coragem devem trazer à tona todo o comprometimento e motivo pelo qual estamos aqui.
 “Na adversidade, uns desistem, enquanto outros batem recordes”.
Com essa frase de Ayrton Senna, buscamos a motivação para seguir em frente, na velocidade que o momento exige mas lembrando que PESSOAS é Plural. Vamos precisar de todos os setores, processos, profissionais afinal, somos um time. Não será fácil, mas é possível, principalmente quando estamos juntos e unidos no mesmo propósito.
A nova parte da história está sendo escrita por nós. Por isso, sinta-se muito à vontade para contribuir e agregar.
Até a próxima. Patrícia Pousa
Doutoranda de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas, pela Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp). Mestra em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da Unicamp (FENF-Unicamp, 2002). Pós-graduada no Ministério do Trabalho da Suécia em Trabalho, Saúde e Projetos (1998), curso relacionado à análise e melhorias das condições de trabalho. Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Universidade São Camilo (1996) e graduada em Enfermagem pela FENF-Unicamp (1987). MBA em Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV, 2015) e MBA em Pessoas pela mesma instituição (2010). Docente da pós-graduação em Administração na FGV, nas disciplinas de Metodologia de Pesquisa, Gestão de Pessoas e Liderança, e na pós-graduação em Gestão de Pessoas na Universidade Paulista (Unip). Visitadora do Programa Compromisso com a Qualidade Hospitalar (CQH) da Associação Paulista de Medicina (APM) na área da saúde desde 2000. 

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Publicado por


Patricia Pessoa Pousa
Gerente de Gente e Gestão | Gerente de RH | Transformação Organizacional|Doutoranda FCM Unicamp|Professor da FGV


Acredito que se poderia escrever um livro dos últimos 45 dias para a Gestão de Pessoas no segmento hospitalar no Hospital Vera Cruz , mas cabe agora o foco em aspectos gerais que possam desde já contribuir de maneira factível. Mesmo que amanhã, com certeza novos e inéditos conteúdos já poderão ser divididos e compartilhados, me sinto realizada por poder dividir esta vivência extraordinária. hashtagExperiência hashtagHospitalVeraCruz hashtagHospitalCare hashtagmundoVUCA

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