GESTOR(A) DO ENXOVAL, AMIGO(A) OU VILÃO(Ã)!

artigo enviado por Rodrigo Mendes Silva

Antes de tudo, quero enaltecer o privilégio em receber a oportunidade de compartilhar com você leitor um pouco da experiência em gestão de enxoval e destacar que este é um momento imensurável, fica assim minha gratidão por abrir este espaço para que com ele eu possa me conectar a novos amigos e fortalecer a minha rede network.

Gostaria de dividir com você a experiência sobre o processo que triei para uma gestão de enxoval mais completa e compartilhada e espero que a experiência, possa ajuda-lo (a) para o sucesso de sua unidade.

Sempre ouvi falar:

 _. Está faltando enxoval, liga lá na hotelaria e pergunta o que aconteceu!
Foi assim que comecei a analisar o macro fluxo deste processo, e cheguei à conclusão que, eu faço a gestão do processo, e não a oferta de peças ao paciente e/ou ainda procedimentos assistenciais.

Vamos lá, deixe-me falar como tudo começou… 

Enxoval atrasado, o carro da entrega do prestador estava preso ao engarrafamento em meio ao trânsito e o centro cirúrgico estava me pressionando, pois ainda teríamos seis procedimentos cirúrgicos, e não tínhamos mais lençóis no hospital. Liguei para o prestador, esbravejei, e fui até o local para conversar com a equipe na esperança de acalmar os ânimos que já estavam bem alterados, cheguei me paramentei e...

Foi aí que minha experiência começou. Seis salas cirúrgicas, e o rol foi (100%) abastecido, afinal, o que aconteceu, onde estão as peças, o mapa nem havia terminado e já estávamos sem enxoval?

Discretamente passei a caminhar pelas salas que ainda continham materiais cirúrgico e não foram ainda desmontadas.

Foi quando uma luz me acendeu, uma mesa cirúrgica forrada, o lençol completamente encharcado de soro e sangue, e ao fundo uma mesa de inox com seis lençóis dobrados, isso mesmo, SEIS lençóis limpos e dobrados, e que seriam desprezados para higienização uma vez que o ambiente estava contaminado. A princípio pensei, CARA cadê a supervisora daqui a, isso é inadmissível…

Logo parti e fui atrás da colega do setor, cheguei no posto de enfermagem, e lá estava ela sentada de fronte ao computador, falava ao telefone, GDL(Gerenciamento de leitos) pressionando, pois, o mapa estava atrasado, CAC (centro de atenção ao cliente) pressionando, pois, paciente ainda não subira ao centro cirúrgico, e os familiares ameaçavam abrir uma reclamação pela demora, equipe médica já indicando a possibilidade de cancelar as últimas cirurgias agendadas para o dia, e eu, o que fazia ali, seria mais um a ajudá-la a enlouquecer? 

Espera um pouco! Ela já está numa situação difícil, não serei eu a pressiona-la mais, então pensei, vou falar com a circulante da sala.

Chegue na RPA, e lá estava ela, praticando o cuidado e dedicação para aquele senhor que acabará de sair de uma cirurgia cardíaca, e já me olhando com aquele olhar de… JÁ CHEGOU O LENÇOL.

Olho para ela e digo, foi você que montou a sala onde este senhor foi operado? E ela disse, sim, preciso desmontar a sala, a limpeza já me avisou que está aguardando isso e já estou indo! Disse a ela que a lavanderia já estava chegando, e que priorizaríamos a entrega do enxoval, e que já estaria direcionando a equipe da limpeza para a limpeza da sala e assim auxilia-la para a montagem da próxima sala que aguardaria o próximo procedimento, despedi-me e saí.

Voltei ao posto de enfermagem, liguei na rouparia e fui informado que o caminhão acabara de chegar e que as peças já estavam prontas para subir. Informei a enfermeira do plantão, para avisasse a supervisora da unidade que eu desejaria falar com ela assim que possível para falarmos a respeito do problema do enxoval. 

Ao retornar para minha sala, pensei nos seis lençóis limpos e desprezados, pensei no lençol encharcado de soro e sangue, e pensei no quanto aquilo me custaria. 

Abri o editor de planilhas (fundamental para minha vida), e fiz uma conta rápida. Sete lençóis de aproximadamente 300 g cada mais a média de 10% de sujidade multiplicado pelo valor pago pela higienização. Posteriormente peguei o resultado e novamente multipliquei pelo número de procedimentos do dia e por final pelo total até a presente data desde o início do mês, MEU DEUS!!!

Adivinha, o custo estava mais do que elevado considerando o lucro de cada procedimento cirúrgico para a instituição, afinal, somos uma empresa né, precisamos ter lucro para investirmos em novas tecnologias.

Ao final da tarde, chega minha colega supervisora do centro cirúrgico, cansada, preocupada com o mapa de amanhã, pois, precisaríamos evitar outro caos. Convidei-a a sentar e comecei a explicar o que presenciei, e foi aí que pude compartilhar minha experiência com alguém que me olhava com ar de preocupação. Destaquei o quanto estávamos gastando com a higienização têxtil produzida em sua unidade, e o quanto poderíamos evitar que tal fato não mais voltasse a ocorrer se trabalhássemos juntos.

A princípio ela duvidou do que eu falei, pois, a correria não lhe permitirá enxergar a causa raiz do problema, mas ainda assim me pediu para ajudá-la com o problema. Passamos então a observar de perto, todos os dias cada etapa de cada procedimento quando relacionados ao enxoval.

“Regra número 1: nunca perca dinheiro. Regra número 2: nunca se esqueça da regra número 1.” – Warren Buffett

Enxergamos a equipe de ortopedia pedindo dez lençóis para montagem de coxim, pois, os coxins quando feito com lençóis são melhores para auxilia-los em seus procedimentos, enxergamos lençóis como peças de contenção em cirúrgicas de grande porte pois estes evitavam o derramamento de líquidos pela sala toda, vimos ainda peças limpas utilizadas pelo time da manutenção e engenharia clínica como suporte em seus procedimentos, e enxergamos a necessidade descabida de se solicitar vários lençóis para a montagem de uma sala cirúrgica e ainda não os utiliza-los para que estes apenas ficassem sobre a mesa de inox.

Quando a supervisora enxergou o problema, passou a se concentrar mais na correção de alguns procedimentos, pois, muito do que havíamos presenciado de fato poderia ser conduzido de outra forma (disponibilizar lençóis de baixa, por exemplo, para a montagem de coxim) afinal eles eram descaracterizados e doados.

Trabalho iniciado e adivinhe qual foi o resultado. Passamos a ter uma economia de 20% no processo de higienização têxtil do setor, o que consequentemente passou a expandir para todas as outras áreas.

Hoje posso dizer que, o problema não está nas pessoas, e sim na forma de se observa-las, teria sido tão comum apontar o erro para o fornecedor e posteriormente atacar os colegas do local. Não é isso que fazemos muitas vezes? O que podemos fazer para trabalhar como um time?

Uma dica muito importante é. Transforme sempre quilos em grana (dinheiro), e questione sempre, se o número de pacientes corrobora o lucro do hospital por cada internação. Todos de fato sabem o quanto estão gastando em suas unidades, sempre mostre, quanto vale sua vontade de mudar um cenário e deixa-lo mais amistoso e profissional.

Isso aconteceu comigo, e pode também acontecer com você, e não somente na gestão de enxoval e sim em todos os subsistemas da hotelaria hospitalar.

Juntos somos mais, e podemos sim fazer parte do time, podemos apontar as oportunidades de melhorias de cada local, não podemos omitir o fato do problema existir, e ao invés de soluciona-lo, tentar buscar culpados e penaliza-los.

Espero que minha experiência possa ajuda-lo(a), por isso, convido você a fazer parte da minha lista de amigos em minhas redes sociais, vamos trocar ideias e experiências e tornar a hotelaria hospitalar cada dia mais forte e atuante.

Obrigado por sua atenção e se precisar, fico a disposição para falarmos sobre novos temas e novas soluções.

Forte abraço!

Coordenador de Operações
Gostaria de dividir com você a experiência sobre o processo que triei para uma gestão de enxoval mais completa e compartilhada e espero que a experiência, possa ajuda-lo (a) para o seu sucesso assim como o sucesso da sua unidade! Leia também. Análise de custos com higienização têxtil! https://lnkd.in/d2jTN4a

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